GÊNEROS DIGITAIS: A LITERATURA SURDA EM QUESTÃO

    Almir Barbosa dos Santos (Mestrando/ UFS / almirbarsantos@yahoo.com.br)

    Resumo: Este artigo tem como objetivo refletir a importância dos gêneros digitais para o ensino/aprendizagem dos alunos surdos através do livro digital da literatura surda. Assim, através destes novos recursos tecnológicos digitais, os alunos surdos conseguem compreender melhor a sua segunda língua (Língua Portuguesa) a partir da sua própria língua (Libras), tornando-se bilíngue. O corpus dessa pesquisa é composto pela literatura surda "As Aventuras de Pinóquio" na perspectiva do gênero digital. A metodologia aplicada foi de caráter exploratório e se fundamentou teoricamente em autores como: Marcuschi e Xavier (2010), Magnabosco (2009), Lorenzi e Pádua (2012), Perlin (1998), Karnopp (2010), Bernardino (2000), Gomes (2011), Teles e Sousa(2010) entre outros.

    Palavras-Chave: Gêneros Digitais; Literatura surda; Línguas de sinais; Bilíngue.

     

    1 Introdução

    A presença das novas tecnologias digitais vem avançando através da internet como ferramenta no processo de ensino/aprendizagem. O espaço virtual tem um papel fundamental para viabilizar recursos que facilitem este processo de cognição, principalmente em relação ao ensino/aprendizado de línguas. A mediação desenvolvida por meio da comunicação através do suporte "computador" trouxe uma mudança significativa tanto no ambiente escolar para as modalidades de leitura e escrita como também na vida social.

    Diante do contexto educacional atual, uso dos gêneros digitais podem favorecer os processos de ensino e aprendizagem mais eficazes tanto ao professor quanto aos alunos. Pinheiro (2008) declara que a inserção da tecnologia da informação e da comunicação na vida cotidiana dos cidadãos tem se tornado um evento cada vez mais marcante, porque, entre outras coisas, é capaz de reordenar o próprio modo como o ser humano interage e se integra socialmente. Este novo ambiente virtual, segundo Magnabosco (2009, p. 1390), "[...] cria, então, um novo lugar de comunicação, atrelado pela velocidade, imagem, digitalização do texto, que acaba por afetar as pessoas e o modo como elas se comunicam e vivem [...]".

    Essa comunicação mediada pelo advento da internet realiza uma mudança significativa na aprendizagem dos alunos surdos, devido aos recursos tais como: imagens, animações, vídeos e entre outros, os quais são de suma importância na construção de sentidos, visto que os alunos surdos significam o mundo dentro de uma perspectiva visual. Este novo espaço virtual através da linguagem digital se mostra eficaz principalmente nos processos de ensino/aprendizagem da primeira língua ou da segunda língua, pois, de acordo com Lorenzi e Pádua (2012. P. 40), "[...] as possibilidades de ensino são multiplicadas se utilizarmos ferramentas digitais. É possível formar redes descentralizadas para a interação; trabalhar imagens [...]".

    O hipertexto possibilita, através dos vários recursos digitais, a leitura nas modalidades escrita e visual, pois o hiperleitor surdo é bilíngue, ou seja, está em contato com a língua portuguesa na modalidade escrita e visual por meio da libras, podendo, assim, fazer uma leitura não linear e não hierarquizada. Assim, o aluno surdo pode partir da primeira língua, que é a Libras, ou pela segunda, que é Língua Portuguesa. A visualização dessas duas línguas só acontece mediante a linguagem digital, possibilitando ao hiperleitor surdo uma melhor compreensão da sua segunda língua na modalidade escrita por meio da Libras. Como há várias literaturas surdas, destacaremos mais uma nesta concepção bilíngue, a conhecidíssima estória da literatura clássica infantil "Chapeuzinho Vermelho", traduzida em libras e adaptada para o público surdo, contemplando, assim, as duas línguas e seus aspectos culturais.

    Vídeo 1 – Chapeuzinho Vermelho em Libras / Fonte: INES

     

    Magnabosco (2009) destaca que quando se incorporam recursos tecnológicos relacionados à prática educacional, tais como: imagem, som, vídeo e animações, há uma melhor assimilação de conteúdo por parte dos alunos. Em relação aos alunos surdos, esses recursos servem como instrumentos norteadores para o desenvolvimento da aprendizagem. Pereira Júnior (2007 apud Magnabosco 2009, p.1396) classifica animação como um dos recursos diferenciadores no hipertexto. Para esse autor, muitos hipertextos, além das características já apontadas, apresentam figuras e menus animados, recursos que dificilmente se adequam a uma estrutura clássica convencional, ou seja, ao papel. Esses recursos tornam o ambiente escolar mais atraente, dinâmico e interativo a fim de uma aprendizagem mais eficaz. Nessa direção, entende-se que esses recursos são fundamentais para os processos cognitivos dos alunos surdos em virtude da modalidade visual que corrobora para seu modelo de aprendizagem linguística.

    O material escolhido para verificação deste artigo foi a literatura surda disponível no site da Arara Azul Editora, empresa que disponibiliza materiais virtuais: links de literaturas surdas, áudios, vídeos, artigos científicos e apoio pedagógico. A empresa Arara Azul tem por MISSÃO o desenvolvimento de ações destinadas à valorização das línguas gestuais, orais e/ou escritas, à promoção das culturas surda e ouvinte e à aceitação das diversidades humanas.

    A escolha do material da editora Arara Azul se deu a partir do momento em que o surdo visualiza através deste material as duas línguas: uma na modalidade visual e a outra na modalidade escrita de língua portuguesa, pois é por meio deste ambiente digital que o hiperleitor pode visualizar a sua língua sendo executada, ou seja, sendo traduzida do português para libras, tornando-o, assim, um hiperleitor bilíngue com o objetivo se comunicar em um ambiente bicultural com proficiência.

     

    2 Gêneros digitais

    Com advento da internet, os gêneros digitais impulsionaram os hiperleitores ainda mais nas práticas de leitura e de escrita, pois os novos gêneros textuais emergentes nos meios virtuais surgiram das necessidades dos novos contextos tecnológicos que estão atrelados à linguagem digital que passou a ter um novo espaço principalmente no contexto educacional através das novas estratégias de leitura e escrita.

    Diante deste novo ambiente virtual, faz-se necessário conceituar o que é hipertexto. De acordo com Xavier (2010, p.208), o hipertexto pode ser entendido como uma "forma híbrida, dinâmica e flexível de linguagem que dialoga com outras interfaces semióticas, adiciona e acondiciona à sua superfície formas outras de textualidade". Xavier exemplifica em seu vídeo o tema: Hipertexto: o que é isso?

    Vídeo 1 – Hipertexto: o que é isso? / Fonte: TVSALA

     

    Em relação ao entendimento de hipertexto, Kock (2011, p. 63) declara que "o hipertexto constitui um suporte linguístico-semiótico hoje intensamente utilizado para estabelecer interações virtuais desterritorializadas", pois de acordo a autora, o distanciamento passou a não ser mais barreira na comunicação entre o leitor e o escritor, com isso o novo leitor ou hiperleitor no espaço virtual passa a ser coautor, pois constrói através da navegação dos links um novo texto.

    Os links são elementos essenciais para que um texto possa ser identificado como um hipertexto. Segundo Gomes (2011, p. 25), "[...] os Links são os elementos constitutivos do hipertexto. Sem eles, o hipertexto é apenas texto", pois é através dos links que a leitura de não-linearidade e de não-sequencial se estabelecem. Portanto, pode-se perceber que, em cada navegação através dos links, um o novo texto vai sendo construído. Assim, o hiperleitor passa a ser um leitor/autor devido à seleção de links que foi realizada para a construção de sentidos.

    É importante salientar que alguns termos usados em relação ao ambiente tecnológico não são palavras novas do nosso cotidiano como: hipertexto e link ou simplesmente hiperlink. O termo hipertexto foi mencionado por Theodore Nelson em 1960 e o termo link ou Hiperlink foi cunhado por ele em 1965 para o Projeto Xanadu. Gomes (2011, p.18) pontua um breve percurso histórico do termo hipertexto.

    Diante da necessidade de novos gêneros no ambiente virtual e para poder relacionar estes novos gêneros, chamados de emergentes, e suas contrapartes em gêneros preexistentes, Marcuschi (2010, p. 36-37) sugere um paralelo formal e funcional, elencando doze novos gêneros digitais: 1. E-mail - carta pessoal/bilhete/correio; 2. Chat em aberto – Conversações (em grupos abertos?); 3 Chat reservado – Conversações duais (casuais); 4. Chat ICQ (agendado) - Encontros pessoais (agendados?); 5. Chat em salas privadas - Conversações (fechada?); 6. Entrevista com convidado – Entrevista com pessoa convidada; 7. E-mail educacional (aula por e-mail) – Aula por correspondência; 8. Aula-chat (aulas virtuais) – Aulas presenciais; 9. Videoconferência interativa - Reunião de grupo/conferência/debate; 10. Lista de discussão – Circulares/séries de circulares (?); 11. Endereço Eletrônico – Endereço postal; 12. Blog – Diário pessoal, anotações, agendas.

     

    3 Literatura surda em questão

    A Literatura surda é uma forma de produzir os textos dentro de um ambiente literário de língua, cultura e identidade surda, em que os artefatos culturais estão intrinsecamente relacionados principalmente a Libras. Lane (1992 apud Santana e Bergamo, 2005, p. 575-576) ressalta que a "[...] cultura surda, além da língua, é composta de literatura específica, sua própria história ao longo do tempo, história de contos de fadas, fábulas, romances, peças de teatro, anedotas, jogos de mímica". Nessa mesma direção, pode-se dizer, então, que a experiência que as pessoas surdas têm na modalidade visual é transmitida de forma diferenciada nos aspectos linguístico e cultural.

    Em relação ao conceito de literatura surda, vale ressaltar, segundo diz Karnopp (2010, p. 171), que a literatura surda surge "[...] pelas histórias produzidas em língua de sinais pelas pessoas surdas, pelas histórias de vida que são frequentemente relatadas, pelos contos, lendas, fábulas, piadas, poemas sinalizados, anedotas, jogos de linguagem e muito mais".

    É de suma importância conhecer as línguas de sinais e a história das pessoas surdas no mundo e no Brasil para poder entender a sua identidade e cultura. As línguas de sinais só passaram a ser consideradas línguas, ou seja, ter status de língua, a partir 1960, quando o professor americano William Stokoe em sua primeira obra Language Structure: An outline of the Visual Communication Systems of the American Deaf, percebe que os sinais formavam estruturas linguísticas que se assemelhavam às línguas orais. Portanto, as línguas de sinais são espontâneas e naturais e são constituídas por aspectos fonológicos, morfológicos, sintáticos e semântico-pragmáticos. Um vídeo produzido por Daniel Pereira Nunes, em seu canal do Youtube LibrasNunes, apresenta 5 parâmetros próprios da fonologia da Libras: configuração de mão, locação, movimento, orientação/direção e expressões não manuais (expressões faciais e corporais).

    Vídeo 3 – Cinco parâmetros da fonologia da Libras / Fonte: LIBRASNunes

    As línguas de sinais são sistemas abstratos de regras gramaticais, naturais às comunidades de indivíduos surdos dos países que as utilizam. Como todas as línguas orais, não são universais, isto é, cada comunidade tem a sua. Assim, há a língua de sinais inglesa, a americana, a francesa, bem como a brasileira. (BERNARDINO, 2000, p. 82)

    Como as línguas de sinais são, de fato, naturais, os sinais podem ser icônicos (que tentam copiar o referente real) ou arbitrários (que não se depreendem a palavra pela sua representatividade). A partir deste vídeo, veremos alguns sinais que são icônicos (bicicleta, coroa, telefone entre outros) e os sinais arbitrários (biscoito, envelhecer, goiaba, amigo). Tanto a iconicidade quanto a arbitrariedade servem para demostrar que a Libras não é o português sinalizado, pois a Libras tem as suas próprias particularidades linguísticas que diferem da Língua Portuguesa. O vídeo produzido pelo estudante de Libras da UFSC, Arthur Oliveira Godinho, resume esses aspectos icônicos e arbitrários.

    Vídeo 4 – Sinais icônicos e arbitrários / Fonte: Arthur O. Godinho

     

    A lei federal de nº 10436/2002 preconizou os direitos linguísticos e de cidadania através do reconhecimento oficial da Libras como língua oficial da comunidade surda. Diante do respaldo desta lei federal, Santana e Bergamo (2005, p. 565-582) pontuam que "Conferir à língua de sinais o estatuto de língua não tem apenas repercussões linguísticas e cognitivas, tem repercussões também sociais". A Língua Brasileira de Sinais só passou a ser reconhecida a partir da lei nº 10.436/2002. No começo do artigo, descreve-se o reconhecimento da Libras e no artigo 4º, parágrafo único, alerta-se que a língua portuguesa não pode ser substituída pela Libras, mesmo a língua de sinais tendo a sua modalidade escrita - signwriting. Esta lei, de fato, preconiza a abordagem bilíngue no Brasil. No seu artigo 1°, a LIBRAS é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão da Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados. No artigo 4º, parágrafo único, declara-se que a LIBRAS não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa.

    A Libras passa a ser incluída no currículo no ensino superior e médio, nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, como exposto no artigo 4º. A pessoa surda tem contato com as duas línguas e precisa se comunicar com a comunidade ouvinte, tornando-o bilíngue.

    A necessidade da aprendizagem da libras na comunidade surda serve como canal de transmissão de valores culturais e de sua identidade. De acordo Correa (2008, p. 42), "A língua é, sem dúvida, a matriz de qualquer cultura e o referencial mais forte de identidade de uma pessoa" e sua comunicação sendo exercida em um ambiente que contemple o contato entre seus pares favorece o reconhecimento da sua própria língua. Retomando as questões de cultura e identidade surda, Perlin (1998, apud Salles, 2005, p.41) elenca os tipos de identidade inseridos na comunidade surda:

     

    • Identidade surda - é reconhecível nos surdos que adotam as formas visuais de experienciar o mundo, nas suas diversas manifestações. A troca dessas experiências é uma característica importante na construção dessa identidade (valoriza-se o momento de encontro entre os surdos);
    • Identidade surda híbrida – ouvintes que perderam a audição e se apropriaram da libras para poder se comunicar, Perlin (1998) citada por Sales (2005, p.41) acrescenta que "nascer ouvinte e posteriormente ser surdo é ter sempre presente duas línguas, mas sua identidade vai ao encontro das identidades surdas"
    • Identidade surda de transição – são pessoas surdas (filhos de pais ouvintes) que rompem a ideia do ouvintista da surdez e se identifica com comunidade surda
    • Identidade surda incompleta – surdos que tentam experienciar a surdez a partir do referencial ouvintista, uma vez que essa cultura dominante, por exemplo, ridiculariza certos aspectos da identidade surda ou desencoraja os encontros da comunidade surda;
    • Identidade surda flutuante - surdos que apresentam "conscientes" de ser ou não ser surdo, mas que não escapam à ideologia ouvintista. Trata-se desses "alguns surdos querem ser ouvintizados a todo custo, desprezam a cultura surda, não têm compromisso com a comunidade surda, outros são forçados a viverem a situação como que conformados a ela" Perlin (1998, p. 66).

     

    4 Análises

    O corpus desta pesquisa é constituído pela literatura surda "As aventuras de Pinóquio – Coleção Clássicos da Literatura em CD-Rom em LIBRAS / Português – Volume III – Autor: Carlo Collodi – Tradutor para LIBRAS: Ana Regina Campello e Nelson Pimenta – Editora: Arara Azul". Este material contempla a abordagem filosófica educacional bilíngue: Libras e Português, sendo estudada no mesmo ambiente digital. Assim, este recurso facilita o entendimento do texto para a segunda língua ou porque através dos links do CD-Rom ou até mesmo fazendo download, o hiperleitor torna-se autônomo ao fazer a sua leitura não linear, construindo para si os caminhos que facilitam a sua aprendizagem a partir da sua língua de instrução - a Libras.

    Vídeo 5 – As Aventuras de Pinóquio em Libras/Português / Fonte: Editora Arara Azul

    A editora Arara azul disponibiliza os seus materiais literários no CD-Rom ou download a fim de facilitar o conhecimento a partir da sua primeira língua para a sua língua alvo - a língua portuguesa. Primeiramente, na tela deste pequeno demonstrativo do romance da Arara Azul, apresenta-se o modo como deve ser feito o download para depois fazer a leitura. Observa-se neste ambiente digital a apresentação das duas línguas através dos links para buscar com esses recursos: história, sugestões pedagógicas, glossário, e ilustrações originais de forma que o hiperleitor possa escolher por onde quer começar a sua leitura para construir sua melhor compreensão. Sendo assim, através do ambiente digital, podemos fazer uma leitura não-linear, ratificando o que diz o nosso estudo.

    As Aventuras de Pinóquio estão relacionadas ao gênero textual fábula, pois este tipo de narrativa de ficção representa estórias da condição humana para retratar um tema de cunho moral, pois este gênero é muito comum tanto para a comunidade surda quanto para o ambiente escolar.

    Vídeo 6 – Pinóquio em libras / Fonte: Editora Arara Azul

     

    No vídeo "Pinóquio em libras", com legenda em português e interpretado por Nelson Pimenta (ator e escritor surdo), a abordagem bilíngue preconizada pelo ator descortina as ideias de que a Libras não é Português sinalizado e do conceito equivocado por Aristóteles que afirmava o pensamento só seria concretizado por meio da palavra falada. Aristóteles (384-322 a.C), conforme Soares (1999 apud TELES e SOUSA, 2010, p. 8) afirma que Aristóteles "[...] ensinava que os que nasciam surdos, por não possuírem linguagem, não eram capazes de raciocinar[...]".

    Este estudo serve para analisar que a literatura surda foi construída como estratégia educacional numa perspectiva que contempla as duas línguas, ou seja, a abordagem filosófica bilíngue em que os surdos possam perceber este recurso contribui de forma significativa a valorização da sua cultura, identidade e de melhor compreensão da língua portuguesa como sua segunda língua.

     

    5 Considerações finais

    Com o advento dos gêneros digitais, os hiperleitores surdos tiveram uma mudança significativa na leitura da sua própria língua para melhor compreensão da língua alvo - a Língua Portuguesa através dos recursos de imagem, som, vídeos e texto impresso que são disponibilizados nestes materiais.

    Assim, diante desse contexto das novas tecnologias, a abordagem na perspectiva bilíngue é evidenciada no ambiente digital como recurso educacional por meio da literatura surda a fim de se trabalhar as duas línguas de forma proficiente. A partir desse momento, a Libras se torna a língua de instrução para o aluno surdo, ou seja, a sua língua natural e espontânea. Com isso, o processo de conhecimento através dessa estratégia pode diminuir o défícit cognitivo da Língua Portuguesa por parte da comunidade surda.

     

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